Seu conteúdo foi removido: gatilho de autolesão e suicídio

Pela primeira vez, tive um post removido pelo Instagram. Era um repost de um vídeo publicado no perfil do artista Vik Muniz. Um dedo machucado se curando em fast motion. Um imagem sobre cura, mas mostrava um corte criando cicatriz. Questionei o motivo, e uma segunda análise decidiu que não se tratava de conteúdo prejudicial. Foi liberado.

É relevante entendermos como é a política de remoção de conteúdo do Instagram, e do Facebook, justamente para evitarmos publicar um conteúdo que seja gatilho para automutilação ou suicídio, sem termos essa intenção. Automutilação é considerada qualquer agressão intencional e direta ao corpo, inclusive distúrbios alimentares.

As redes sociais demonstram grande preocupação com saúde mental, promovem discussões, projetos, e criam ferramentas de apoio o tempo todo.

A inteligência artificial do Instagram e do Facebook removem conteúdo inapropriado antes mesmo de serem denunciados. Segundo a assessoria do Instagram, “são posts relacionados a métodos, materiais e conteúdo ficcional que use desenhos ou memes para encorajar ou mostrar representações, imagens explícitas de suicídio ou autolesão”.

O Facebook considera prejudicial imagens que remetam a distúrbios  alimentares, como “representação de costelas, clavículas, espaço entre as coxas, quadris, barriga negativa ou coluna vertebral/escápula protuberante, quando compartilhado com termos associados a distúrbios alimentares”.

A assessoria do Instagram informou que, no primeiro trimestre de 2020, atuaram sobre 1.3 milhão de conteúdo relacionado a suicídio e autolesão. 90% desse conteúdo foi inibido antes de serem reportados pela comunidade. A intenção é que chegue a  100%.

Conheça as diretrizes da comunidade do Instagram nesse link.

Conheça as diretrizes de segurança do Facebook nesse link. 

Ao mesmo tempo, existe a preocupação de não inibir discussões sobre esse assunto ou pedidos de ajuda. Por isso, são permitidas imagens de cicatrizes.

“Os conteúdos que não são explícitos, porém relacionados à automutilação, como cicatrizes curadas, não serão exibidos em pesquisas, hashtags e na guia “explorar”, assim como não iremos recomendá-los. Não estamos removendo esse tipo de conteúdo completamente do Instagram, já que não queremos estigmatizar ou isolar pessoas que possam estar em perigo e  publicam como um pedido de ajuda”, comentou a assessoria.

Há um grupo de especialistas que se reúne uma vez por mês para discutir como deixar a plataforma mais segura e, também, como criar espaços seguros para que os jovens possam falar sobre suas experiências (inclusive de automutilação) no ambiente online. O compartilhamento desses posts geralmente ajuda as pessoas a se conectarem com suporte e recursos que podem salvar vidas.

Compartilhar histórias de sobreviventes tem se mostrado muito benéfico. Essa é a experiência da Karen Scavacini, que faz parte desse grupo mensal de discussão do grupo Facebook. Ela lança, nesse mês, o terceiro concurso de histórias de sobreviventes do Instituto Vita Alere.

Para Karen, conteúdo inadequado são posts que possam ser gatilhos para uma pessoa e incitar o suicídio ou autolesão – que tenha conteúdo gráfico sem contexto.  “Há uma brecha para discutir quando se trata de arte. Se a arte está incitando violência, não é boa. Por isso, muitos conteúdos precisam passar por avaliação humana, para entender o contexto da imagem”.

Entre as discussões do grupo, Karen ressalta a preocupação sobre como tirar o conteúdo de uma forma que não seja ruim para quem está postando, porque muitas vezes isso é um pedido de ajuda.

Ao receber a denúncia de um conteúdo inapropriado, agora aparece uma mensagem: “alguém se preocupou com você e denunciou seu post. Você tá precisando de ajuda?”. Essa pessoa é conectada ao CVV (Centro de Valorização da Vida) ou a uma central de ajuda.

Se há indícios de haver uma tentativa de suicídio em andamento, podem mandar os bombeiros irem até a casa da pessoa.

Ela desenvolveu a cartilha “Como falar de forma segura sobre suicídio”, aprofundando o tema e trazendo considerações sobre postagens que envolvam esse assunto. Na seção “o que não fazer”, ela cita: “Jamais publique ou compartilhe fotos da cena do suicídio, com a pessoa morta ou mostrando o método (corda pendurada, sangue no chão etc.).  Não publique fotos do velório ou do desespero dos pais e amigos. Não publique foto do local da morte (ponte, viaduto etc)”.

Na seção “o que fazer”, ela orienta: “Falamos da pessoa com comportamento suicida e não do “suicida”, pois a pessoa é muito mais do que aquele comportamento. Falar de bem-estar e promoção de saúde mental ajuda na prevenção do suicídio”.

Também há orientações sobre como repercutir massacres. Por exemplo: “Não cite o nome dos atiradores ou divulgue suas fotos. Estudos da The American Psy- chological Association apontam que a busca pela notoriedade e pela fama é uma das motivações mais recorrentes dos assassinos que promovem massacres”.

A cartilha toda é ótima. Há dicas sobre como falar com alguém que demonstra sinais de comportamento suicida nas redes sociais. Acesse-a aqui.

Pensando em ajudar o público jovem,  Karen organizou no ano passado, junto ao Grupo Facebook e à Capricho, o projeto  o “Instapoesia”. Influenciadores e poetas criaram poesias, disponíveis no feed da Capricho, para inspirar jovens a falarem abertamente sobre todos os tipos de sentimentos e buscarem apoio.

Também realizou o Festival Amarelo, um evento para estudantes de escolas públicas com palestras, oficinas e atividades para promover conscientização sobre saúde mental e  prevenção de suicídio.

Por fim, a assessoria relata: “Estamos determinados a fazer tudo o que pudermos para fazer do Instagram um lugar seguro e acolhedor para todos. Isso significa ajudar as pessoas a se expressar e a buscar ajuda para problemas de saúde mental, mas também protegermos outras pessoas da exposição a conteúdo sensível”.

Agradecemos.

Veja abaixo, ferramentas de bem-estar e recursos de apoio do Instagram:

  • Recursos de apoio: ao pesquisar por #ansiedade ou #depressão, o usuário recebe uma notificação pop-up com a mensagem “Podemos ajudar?”, direcionando as pessoas ao apoio adequado. As opções são: conectar com um amigo, com uma linha de apoio como o CVV, e sugestões e dicas de atividades para autoajuda.
  • Ferramentas anti-bullying:O bullying é um desafio enfrentado especialmente pelos jovens, e o Instagram tem o compromisso de liderar o setor nessa luta. Estas ferramentas fazem parte dos esforços para dar às pessoas que são alvo de bullying online a possibilidade de se defender baseada no profundo entendimento de como ocorre a intimidação e como quem é alvo reage ao bullying no Instagram. As ferramentas incluem:
    • Alerta de Comentário: utiliza inteligência artificial para notificar pessoas que um comentário pode ser considerado ofensivo, mesmo antes de ele ser publicado. Essa intervenção dá aos usuários da rede a chance de refletir e desistir do comentário, além de impedir que o destinatário receba uma notificação com o mensagem nociva;
    • Função Restringir: O recurso Restringir tem o objetivo de proteger sua conta contra interações indesejadas. Quando vocêestringir uma pessoa, os comentários dela em suas publicações só ficarão visíveis para ela mesma.
    • Filtros de comentário:o Instagram também possui ferramentas para detectar bullying nas imagens compartilhadas e nas legendas, através de uma tecnologia de aprendizagem computacional (learning machine).
    • Ferramentas para controlar o tempo no Facebook e Instagram:ambos os aplicativos têm um painel de atividades que mostra quanto tempo as pessoas passaram no aplicativo nos últimos 7 dias, do dispositivo do qual estão acessando. Além disso, é possível configurar um lembrete diário personalizável que envia um alerta quando você excede o tempo de uso que considera adequado no aplicativo,  e também é possível limitar as notificações para quando você precisa focar em outras atividades.

Fonte: Uol – Cotidiano

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