Senadores desconfiam de sabotagem e querem ouvir especialistas sob re apagão de dados da Covid

 

Os senadores Omar Aziz, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros

O apagão de dados do Ministério da Saúde, que já dura 33 dias, foi o principal tema da conversa de senadores que integraram a CPI da Covid no ano passado e agora avaliam reeditá-la.

Membros do chamado G7 da CPI se reuniram virtualmente na tarde de terça-feira, após chamado de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que queria saber a opinião do grupo sobre a proposta de uma nova CPI.

Com exceção de Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Eduardo Braga (MDB-AM), o núcleo de senadores que fizeram parte do grupo majoritário da CPI participaram da conversa, como Otto Alencar (PSD-BA), Eliziane Gama (Cidadania-MA), Humberto Costa (PT-PE) e Leila Barros (Cidadania-DF). Eles estão especialmente preocupados com os motivos que levaram o país ao escuro nas estatísticas sobre a doença.

Alguns suspeitam até que a pasta comandada por Marcelo Queiroga tenha sabotado o sistema que, além de compilar os dados da doença, fornece também o chamado passaporte vacinal. Desde que o ConectSUS saiu do ar, tem sido mais difícil para estabelecimentos cobrarem e pessoas provarem que tomaram a vacina contra a Covid.

“Estamos um mês sem dados e ninguém tomou a iniciativa de pedir informações ao ministério sobre o que aconteceu”, disse Omar Aziz (PSD-AM), que presidiu a CPI da Covid no ano passado.

“Vamos ouvir especialistas, há algo estranho nesse enredo. O sistema sai do ar justamente quando começou a se exigir o passaporte de vacinação? Para fazer o Tratecov eles foram bem rápidos e agora não conseguem resolver?”, acrescenta Aziz, referindo-se ao aplicativo criado pelo Ministério da Saúde no início da pandemia, que receitava remédios ineficazes contra a Covid a partir de um algoritmo.

A criação do aplicativo foi tema de investigação da CPI da Covid e um dos motivos para que o Senado recomendasse ao Ministério Público investigar a conduta de servidores da pasta, como a secretária de gestão Mayra Pinheiro. Mas os senadores não estão satisfeitos com o trabalho do MP.

“Não sou tarado por CPI, mas quando alguns não cumprem o seu serviço, o que podemos fazer? A CPI nada mais é do que uma investigação feita pelo Congresso”, afirma Randolfe.

Embora tenha protocolado um pedido de abertura de nova CPI na terça-feira mesmo, tendo como base não apenas o apagão de dados mas também a resistência de Queiroga em vacinar crianças, Randolfe ainda não reuniu as 27 assinaturas de apoio para levar a iniciativa à diante.

Otto Alencar diz que pessoalmente é favorável à nova CPI mas lembra que a decisão tem que ser levada a debate dentro de seu partido, o PSD, que também é a sigla do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

“Todas as inações do governo na testagem, na vacinação de crianças e no apagão de dados são fatos determinados para uma nova CPI, não me furtarei em assiná-la, mas tenho que conversar com meu partido antes”, diz Alencar.

Além dele, Humberto Costa, Eliziane Gama e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) também informaram à equipe da coluna que irão assinar a requisição de Randolfe. Outro que endossou a iniciativa foi Renan Calheiros (MDB-AL), que foi o relator da última CPI.

Caso haja o apoio de 27 senadores, uma nova CPI demandaria que os partidos indicassem seus representantes, que podem não ser os mesmos. Além disso, governistas já entenderam que, se dormirem no ponto de novo, serão minoria novamente na comissão, o que não foi bom negócio para Bolsonaro, que acabou entrando na lista de indiciados.

Um senador do Podemos já adiantou à equipe da coluna, sob reserva, que não assinará o pedido de Randolfe, prevendo que sirva para exacerbar as diferenças políticas em pleno ano de eleição. ”Palanque agora só na campanha”, disse.

Outros senadores também manifestaram ceticismo com a iniciativa, mas Randolfe diz que, enquanto todos os apoiadores não aparecem, o observatório criado para acompanhar as ações determinadas pela CPI da Covid pode agir.

Ele promete para a última semana de janeiro convidar especialistas para explicarem o que afinal acontece com o sistema do Ministério da Saúde que está fora do ar.

Se até lá Marcelo Queiroga não conseguir colocar o ConecteSUS de volta nos trilhos, criará o clima que a oposição espera para organizar uma mobilização contra Bolsonaro no Senado, que pode se traduzir em convocações nas comissões da Casa e até na

 

CPI.

O GLOBO

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