Quando o grande perde do pequeno, a regra é falar mais do derrotado; não é o caso

Foram madrugadas e mais madrugadas. Noites insones. E o placar não se alterava. Faltavam seis pontos. Duas cestas de três. Uma diferença igual ao 7 a 1. Parecia tão fácil. E nada!

Quando, enfim, a derrota se consumou, o mundo civilizado explodiu de alegria.

Sim, o mundo civilizado saudou menos o vitorioso e se alegrou mais por causa de quem perdeu.

Nada contra quem venceu, principalmente por ela. Time grande, sem dúvida, cujo triunfo, em regra, deveria ser comemorado como tal. Só que qualquer um seria melhor que o derrotado, razão pela qual, excepcionalmente, os rojões explodiram pelos céus do planeta em regozijo pelo fim de quem, patético, não sabe nem perder.

A criança mimada, o presidente milionário do clube dos patifes, expulso pela torcida da poderosa Casa Branca que empestou, está fora do jogo, incapaz de participar do segundo tempo, como é quase regra no campeonato que disputou.

É preciso ser muito perna de pau para perder mesmo com a maioria dos juízes ao seu lado, além do poderio da máquina sob seu comando.

Alijado com requintes de crueldade, a goleada deixada para os acréscimos da partida, as últimas cartadas vindas pelo correio neste mundo digital.

Deixa uma porção de viúvas, todas incapazes de olhar além dos próprios umbigos, dinheiristas, gananciosas, abjetas, geneticamente mentirosas. Não há VAR que as salve.

A expectativa durante cinco longos dias e noites tornou impossível observar com a atenção merecida uma porção de outros jogos espalhados pelo planeta bola.

No primeiro gol da sofrida, e sofrível, virada do São Paulo sobre o lanterna Goiás, a bola entrou? Jamais saberemos.

E o pênalti que deu o lastimável empate ao Corinthians em Goiânia, realmente aconteceu? Francamente, não!

Mas que importância têm tais lances diante do testemunhado por bilhões de pessoas mundo afora, a vitória da democracia sobre o populismo de extrema-direita?

Diante da apoteótica virada do homem comum, com seus defeitos e qualidades, em cima da figura patológica, e sob o risco, se insistir na infame tese da fraude, de ser retirada do trono pela Força Nacional?

Nunca um domingo, rara leitora, raro leitor, atendeu tanto à ideia de seu criador como o dia do descanso, a ser dedicado à ressaca cívica depois de semana tão intensa.

Sim, teve ainda o Palmeiras contra o Vasco, embate entre dois gigantes brasileiros comandados por dois treinadores lusitanos, sinais da globalização, e o Santos sem seu técnico infeccionado pela Covid-19 que os negacionistas derrotados insistem em minimizar, com consequências trágicas para a humanidade.

Além de Galo x Flamengo, “o” jogo da 20ª rodada, para não falar de Manchester City x Liverpool.

A goleada de esperança iluminista acontecida nos Estados Unidos tornou tudo mais em secundário.

Nesta segunda-feira (9), não sejamos ingênuos, o mundo, e o Brasil, especialmente, seguirão palcos da injustiça da fome, da falta de moradia, de saúde, de educação, do racismo, homofobia, machismo, desrespeito ao meio ambiente, da minoria milionária e da maioria excluída.

Mas, ao menos, com esperança, outra vez.

Até o gênio da raça Darcy Ribeiro não teria vergonha de estar ao lado dos vencedores.

Oxalá o próximo dia 15 signifique o começo da reação contra o obscurantismo também por aqui.

É hora de virar o jogo.

Fonte: Uol – Folha

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