Marioneide depõe sobre duplicidade em obras e cita invasão de creche investigada

Rodinei Crescêncio

Marioneide Kliemaschewsk

A ex-secretário municipal e estadual de Educação, Marioneide Angélica Kliemaschewsk, que prestou depoimento a GCCO, na Operação Overlap

Em seu depoimento como testemunha nas investigações da Operação Overlap, que apura irregularidades em obras tocadas pela secretaria municipal de Educação de Cuiabá, a ex-secretária da Pasta, Marioneide Angélica Kliemaschewsk, disse que uma das creches investigadas por suposto gasto de R$ 249 mil em compras duplicadas foi vítima de “vandalismo”.

As declarações de Marioneide, que deixou o comando da secretaria estadual de Educação na semana passada, foram dadas à Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) no dia 17 de agosto. De acordo com ela, o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Joana Mont Serrat Spindola Silva “sofreu invasões” de pessoas não identificadas, possivelmente de usuários de drogas.

Marioneide era a titular da secretaria municipal quando foi realizada a licitação para obras no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Joana Mont Serrat, no bairro CPA III, em junho de 2016. No depoimento,

Em seu depoimento, a ex-gestora disse que se recorda da CMEI apenas porque a obra sofreu invasões. Por esse motivo foi registrado um boletim de ocorrência (BO) na época. Segundo ela, o BO deve ter sido feito por alguém da Diretoria de Infraestrutura da Secretaria.

Mas, o ofício Nº 991/2016/GS/ME, assinado por Marioneide Angélica Kliemaschewsk, em 01 de junho de 2016, comprova a abertura do leilão ainda em sua gestão. “Por intermédio do presente, encaminhamos em anexo o termo de referência cujo objeto visa a abertura do processo licitatório para contratação de empresa de engenharia para execução do remanescente da obra, junto ao CMEI CPA 3”, diz trecho do documento.

As duas empresas que foram declaradas vencedoras – AB3 Construtora Imobiliária Comércio e Serviço LTDA e Apolus Engenharia LTDA – foram divulgadas no dia 2 de dezembro, ainda sob a gestão de Marioneide na SME, que respondeu pela pasta até 31 de dezembro.

Em seu depoimento, divulgado pelo FolhaMax, a ex-secretária também informou que não tinha contato com os ex-secretários acusados de participação no esquema. Com Alex Passos, que comandou a SME, relatou que teve um único contato, num evento do Conselho Municipal de Educação, em 2018.

Marioneide foi titular da pasta municipal entre abril e dezembro de 2016. Antes disso, tinha sido secretária adjunta por três anos, de abril de 2013 a abril de 2016. Desde o início do Governo Mauro Mendes estava na condução da pasta estadual de Educação, mas no dia 22 de outubro ela anunciou sua exoneração do cargo por motivos pessoais.

O caso ainda segue em investigação e a PC não descarta novas operações. Um dos argumentos apontados pelos investigadores sobre as ilicitudes é a compra duplicada de itens como portas e parte do telhado, o que evidenciaria desvio de dinheiro. Na versão de Alex Passos, a obra ficou abandonada por pelo menos 3 anos e, com isto, o centro educacional teria sido alvo de constantes depredações. Isto, segundo ele, teria motivado a compra de novos materiais.

Fonte: RDnews

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