A repórter Camila Marinho e o cinegrafista Cleriston Santana aguardavam o pouso do helicóptero do presidente no estádio municipal Juarez Barbosa, Itamaraju. Ao descer do helicóptero, o presidente seguiu em direção à lateral do campo de futebol. Os repórteres da TV Bahia e da TV Aratu, afiliada do SBT, tentaram se aproximar para entrevistar Bolsonaro, mas a equipe de segurança impediu a aproximação das duas equipes.

Um dos seguranças do presidente segurou a repórter pelo pescoço, numa espécie de “mata-leão”. Outro segurança pessoal tentou impedir que os jornalistas erguessem os microfones em direção a Bolsonaro. No tumulto, os microfones esbarraram no presidente, que disse que os repórteres estavam batendo nas costas dele.

— Se bater de novo vou enfiar a mão na tua cara. Não bata em mim, não batam em mim — disse.

O secretário de Obras de Itamaraty, Antonio Charbel, que estava com apoiadores do presidente, puxou os microfones. A pochete da repórter Camila Marinho também foi arrancada por outro apoiador.

Segundo o G1, os jornalistas da TV Aratu Xico Lopes e Dário Cerqueira também tinham sido agredidos.

Após a confusão, a equipe presidencial seguiu para a sala de comando da operação, dentro de uma escola. As equipes de reportagem não acompanharam.

A assessoria de imprensa da Presidência chamou os repórteres dos dois veículos para dentro do local. Um dos integrantes da segurança pediu desculpas pelo que havia ocorrido do lado de fora.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), lamentou a agressão contra os jornalistas: “Minha solidariedade à equipe de reportagem da Rede Globo, que foi agredida e impedida de realizar a cobertura jornalística durante carreata com o presidente em Itamaraju, na Bahia. A liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia e qualquer ataque ao jornalismo merece repúdio. O momento é de trabalho e solidariedade no Extremo Sul. Repudio violência contra a imprensa e oportunismo num momento de dor diante de uma tragédia. Vamos trabalhar”, disse o governador em uma rede social.

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