Entendo ambição de Ceni e outros técnicos, mas eles deveriam terminar seus trabalhos

O Cruzeiro, com Felipão, está mais seguro, confiante, vibrante. É muito difícil, mas há esperanças de que a equipe volte, no próximo ano, à Série A.

Uma correção. Na coluna anterior, saiu publicado: “Alberto Caieiro, um dos 27 heterônimos de Fernando Pessoa”. São 127, como escreveu José Paulo Cavalcanti Filho, no primoroso livro “Fernando Pessoa: Uma Quase Autobiografia”.

Estranho futebol brasileiro, que tem um calendário ruim, vários péssimos gramados e campeonatos que não param durante os jogos de seleções. Estranho futebol, que perde dois de seus principais treinadores, estrangeiros, que disputavam a liderança do Brasileiro e que ajudavam a melhorar a qualidade do nosso jogo. Um foi demitido (Torrent) e outro quis sair (Coudet).

Se Torrent continuasse e o Flamengo ganhasse nesta quarta do São Paulo, pela Copa do Brasil, o técnico voltaria a ser bastante elogiado. Fernando Diniz, técnico do São Paulo, mesmo líder em aproveitamento no Brasileiro, é bastante criticado. Rogério Ceni, que tinha dito, após a má experiência no Cruzeiro, que não sairia do Fortaleza antes do fim do contrato, saiu e já dirige hoje o Flamengo. Estranho futebol.

É um direito legal os clubes dispensarem os técnicos e o contrário, o técnico deixar o clube, desde que cumpram o que está previsto nos contratos. Compreendo a ambição humana dos treinadores, como Rogério Ceni, mas eles deveriam terminar os trabalhos, já que a troca frequente de técnicos no Brasil piora a formação de atletas e a qualidade dos times e do futebol. Uma solução, que os clubes não querem, seria colocar normas para a contratação de treinadores durante os campeonatos.

Há coisas boas. Assim como a beleza da vida não está no intelecto, e sim no encanto, o fascínio pelo futebol não está na estratégia, que é importante. Está nos belíssimos e inesperados lances do jogo.

O futebol brasileiro tem evoluído, graças aos novos treinadores, brasileiros e estrangeiros. O Atlético-MG, que tinha levado três gols do Palmeiras, em contra-ataques, ganhou por 4 a 0 do Flamengo, utilizando principalmente o contra-ataque. Há várias maneiras de vencer, de acordo com o momento e o adversário.

Queremos ver a seleção ganhar e encantar. Para isso, precisa criar também variações. O time não pode jogar sempre com o lateral esquerdo Renan Lodi quase como um ponta esquerda e com o lateral direito Danilo, com pouco talento, mais por dentro, como um armador.

Apesar da idade avançada, tenho mais esperanças em Daniel Alves, como lateral, em 2022, do que em Danilo ou outro lateral direito. Daniel Alves é o principal jogador do São Paulo. Atua como meio-campista, pela meia direita, de uma área à outra, com uma função parecida com a que Tite quer que Danilo desempenhe na seleção.

Muitos pensam diferente. Isso é bom. Outro dia, em um programa de televisão, elegeram Daniel Alves como a segunda maior decepção do primeiro turno do Brasileiro. Assisto a outro futebol.

No domingo, o jovem Jean Pyerre, do Grêmio, com chance de se tornar um futuro craque da seleção, ao lado de Casemiro, deu uma aula de talento, de passes precisos, de visão ampla do conjunto, tudo com elegância e eficiência, como é habitual. Quando a bola chegava a ele, tudo se iluminava.

Muitos pensam diferente. Ainda bem. O comentarista criticava que Jean Pyerre, por ter sido escalado de meia ofensivo, teria de entrar mais na área. Assisto a outro futebol.

Fonte: Uol – Folha

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