Do marabaixo ao maçambique, grupos de expressão quilombola entoam resistência no Sonora Brasil

Do Amapá ao Rio Grande do Sul, as tradições orais de comunidades quilombolas brasileiras são o carro-chefe da série documental que o projeto Sonora Brasil exibirá no SescTV a partir de 21 de novembro, com apresentações de grupos em itinerâncias da iniciativa.

Do ciclo – exibido gratuitamente pela internet – farão parte o marabaixo e o batuque do grupo Raízes do Bolão, do quilombo do Curiaú (AP); os integrantes do Samba de Cacete da Vacaria, ritmo originário da região de Cametá (PA); os baianos do Raízes do Samba de Tocos, com o samba de roda do município de Antônio Cardoso; e o Alabê Ôni, do Rio Grande do Sul, representante do tambor de sopapo, sonoridade originária da região das charqueadas.

“Nosso samba de roda, uma tradição antiga, canta nosso passado, o sofrimento na lida”, descreve Roque da Viola, do Raízes do Samba de Tocos. “É um samba que vem desde a escravidão, que passou pelo coronelismo e que era cantado para diversão nas horas em que não se estava no castigo”, conta Roque, em conversa com o Preta, Preto, Pretinhos. “Hoje em dia ainda cantamos para nos divertir, mas falamos do dia a dia, da nossa sobrevivência.”

O Samba de Cacete da Vacaria, no Pará (Foto: João Faissal/Divulgação)

O Alabê Ôni – que quer dizer “nobre tamboreiro”, em iorubá – tem por objetivo mostrar as sonoridades quilombolas no Rio Grande do Sul e arredores, conta Richard Serraria, integrante do grupo. “O tambor de sopapo, que é o elemento central do Alabê Ôni, faz uma visita a outros tambores irmãos do Cone Sul. O que interessa para nós é registrar uma cultura negra que é comum à região.”

Os gaúchos apresentam alujás, maçambiques (variação gaúcha das congadas) e outras expressões da musicalidade quilombola, como quicumbis e candombes – ritmo que transcende fronteiras e que também é um dos principais do Carnaval uruguaio, por exemplo. “O Alabê Ôni é o encontro do tambor sopapo, que atesta a presença negra no Rio Grande do Sul, um Estado de folclore eurocentrado. Através do sopapo, a gente afirma a presença negra na construção econômica, na história do trabalho, e as marcas culturais que seguem vivas no século 21.”

Pedro Bolão, do quilombo do Curiaú, conta que o que será visto nos documentários é um pouco do que o grupo toca entre “as mais pedidas” pela comunidade.

O Sonora Brasil é um projeto dedicado à visibilização da produção musical brasileira. A série documental será composta por oito episódios e vai unir ritmos populares e música erudita, sob a temática “Tambores e batuques e Edino Krieger e as Bienais de Música Brasileira Contemporânea”.

Sonora Brasil
Live de estreia: youtube.com/sescsp, dia 21.11
Onde assistir: sesctv.org.br; sempre aos sábados, às 21h; a partir de 21.11 e até 9 de janeiro
Grátis

Fonte: Uol – Cotidiano

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