As normas variam entre cada local, mas a regra geral é ter duas doses de vacina ou a dose única para frequentar espaços como bares, restaurantes e shows, por exemplo.

Belém, Brasília, Cuiabá, Florianópolis, João Pessoa, Fortaleza, Macapá, Maceió, Palmas, Porto Velho, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Teresina e Vitória determinaram a obrigatoriedade do documento. A capital de Santa Catarina estende a exigência a adolescentes de 12 a 17 anos, com a primeira dose, enquanto a da Bahia inclui a dose de reforço para o público elegível, isto é, que completou o ciclo de imunização há quatro meses.

A capital federal é um caso à parte: Brasília pede o documento para entrada em estádios, por exemplo, mas abre a possibilidade para teste negativo de Covid-19. Também há a exigência para entrada em eventos, shows e festivais, mas um decreto suspendeu a realização de tais atividades diante da escalada de infecções por coronavírus.

BH sem previsão

Maceió e Teresina deverão exigir o documento para a comunidade escolar. Fortaleza e Vitória seguem decretos estaduais que determinam a adoção. Já Rio Branco estuda exigir o documento e avalia o caso junto a um comitê científico.

 

Belo Horizonte e Boa Vista informaram que não têm data para adotar o comprovante. Em Aracaju, Campo Grande, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre e São Luís, também não há cobrança.

— A vacinação nunca pode ser considerada um ato individual, mas coletivo. Se, individualmente, a pessoa opta por não se vacinar, assim como pode optar por não votar nas eleições, tem que arcar com o ônus dessa decisão — analisa a infectologista Ana Helena Germoglio. — O comprovante é uma das formas de indiretamente incentivar a vacinação.

Esse incentivo pode até mesmo reduzir custos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Pesquisas mostram que imunizantes reduzem a transmissão do coronavírus à metade, o que, na prática, diminui a circulação viral. Tal característica ganha ainda mais importância diante do avanço da variante Ômicron, mais contagiosa. A disparada do número de casos de Covid-19 deve pressionar os sistemas de saúde nas próximas semanas.

— Ao não estarem vacinadas, as pessoas representam um risco à saúde pública. Elas têm chance de contrair a Covid e evoluir para um caso grave mais de dez vezes maior do que quem recebeu a vacina. No final, essa pessoa vai custar para o Estado, em termos de atenção à saúde, num momento muito crítico, em que a gente tem limitação importante da capacidade operacional — avalia o epidemiologista e coordenador da Sala de Situação em Saúde da Universidade de Brasília (UnB), Jonas Brant.

Exigir comprovante de vacinação não é uma ideia inédita no mundo. Viajantes devem apresentar o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) contra a febre amarela para entrar em diversos países da África, além de Austrália, Colômbia, China e Maldivas, entre outros. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emite o documento gratuitamente no Brasil.

Serviços prejudicados

Como O GLOBO mostrou, a explosão de casos de Covid-19 e influenza tem afetado o comércio, a indústria e o turismo. Já há desfalques em equipes de saúde, o que afeta serviços em diversos estados. Na avaliação de especialistas, a obrigatoriedade do documento pode contribuir para a retomada das rotinas e atividades econômicas fundamentais.

— Essas cidades receberam impacto positivo, porque as pessoas começam a ir a esses lugares ao saber que lá está todo mundo imunizado e que estão mais seguras — pontua Brant. — As não vacinadas não representam um público importante para esses lugares e, ao mesmo tempo, as vacinadas têm mais segurança para buscar esses ambientes.

Ana Helena Germoglio sustenta a mesma opinião:

— Quanto mais pessoas vacinadas, menos impacto da doença e mais gente disponível para retornar as atividades de trabalho e culturais. Mais rápido vamos voltar à nossa vida normal também. Não tem jeito, a vacinação é nossa única saída.

Procuradas pelo GLOBO via e-mail, telefone e mensagem de texto, as secretarias municipais de Saúde e as prefeituras de Manaus e de Natal não responderam aos questionamentos até a publicação desta reportagem.

o globo