23 de Maio, 2022

Câmera instalada por moradora de favela registra o momento em que PMs invadem a casa dela

Abuso e desrespeito em uma comunidade do Rio de JaneiroUma moradora afirma que policiais militares invadiram e ocuparam a casa dela durante três meses, como se fossem os donos. E ainda teriam furtado objetos de lá. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público, que já recebeu outras denúncias.

Policiais Militares em serviço invadem a casa de uma moradora da comunidade do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. Eles estão tranquilos, armas pra baixo. A moradora passava uns dias fora.

Ela procurou a Defensoria Pública no fim de janeiro, dias depois da implantação do Programa Cidade Integrada. O projeto do Governo do Estado pretende retomar o território ocupado pelo tráfico e pela milícia. Foi nessa comunidade que, em maio de 2021, 28 pessoas foram mortas numa operação da Polícia Civil, a mais letal do Rio de Janeiro.

Segundo a denúncia da moradora, a ocupação da casa pelos policiais passou a ser frequente. Em depoimento ao Ministério Público, ela contou que “não mais retornou para sua casa com medo de que os policiais a invadissem”.

E “que ela tem medo de que os policiais façam alguma coisa com ela”. E que “os policias começaram a “mandar recado”, dizendo que era para a declarante não retornar para casa porque eles precisavam de um lugar pra ficar durante o serviço”.

Foram praticamente três meses. Quando os policiais saíam, ela entrava na casa para ver os estragos. Foi aí que passou a documentar tudo em vídeo e colocou a câmera escondida.

Depois de ser bastante usada, a casa começou a ser depredada. Segundo a denúncia, primeiro começaram a sumir objetos pequenos, perfumes, bijuterias, as roupas. Depois começaram a desaparecer os eletrodomésticos. Por fim, as portas dos armários, as tomadas, os interruptores e até as lâmpadas foram levadas.

A Polícia Militar disse, em nota, que o Comando da Corporação determinou um procedimento apuratório. E que todos os policiais militares envolvidos na suposta invasão de domicílio já foram identificados e ouvidos. E que para assegurar a transparência das ações de patrulhamento, foi instalado na comunidade um posto da Corregedoria Geral da PM, que já recebeu mais de 30 denúncias de moradores.

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