Bolsonaro silencia enquanto líderes mundiais parabenizam Biden

Ao contrário de outros líderes mundiais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ainda não parabenizou publicamente Joe Biden pela vitória na eleição americana.

O líder brasileiro não fez nenhuma manifestação de felicitação ao democrata, cuja vitória no pleito disputado no último dia 3 de novembro foi declarada pouco depois das 13h20 deste sábado (7).

A postura de Bolsonaro contrasta com a de outros governantes, entre os quais o premiê britânico, Boris Johnson, um dos principais aliados do presidente Donald Trump na Europa.

Além de Boris, publicaram mensagens de parabéns nas redes sociais o presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o premiê de Portugal, António Costa, e o governo alemão, chefiado pela chanceler Angela Merkel.

Na América Latina, líderes já começaram a felicitar Biden, como os presidentes Alberto Fernández, da Argentina, e Sebastián Piñera, do Chile. O presidente da Colômbia, Iván Duque, também se pronunciou.

Biden foi anunciado o vencedor das eleições no início da tarde deste sábado. Ao contrário do Brasil, os EUA não tem uma autoridade eleitoral nacional, e o vencedor é declarado por projeções da mídia do país.

Durante a semana passada, Bolsonaro e seus assessores discutiram sobre o melhor momento de enviar uma mensagem de felicitação a Biden —caso ele fosse confirmado o vencedor.

Na diplomacia, as felicitações de outros chefes de estado são atos simbólicos, mas, no caso do líder brasileiro, o silêncio ganha dimensões políticas, uma vez que Bolsonaro é admirador declarado de Trump.

Bolsonaro foi apelidado pela imprensa estrangeira como o “Trump dos trópicos” e disse em diversas ocasiões que torcia pela reeleição do atual presidente.

Internamente, auxiliares palacianos avaliavam que, em caso de vitória de Biden, Bolsonaro só deveria parabenizar o democrata após a conclusão de qualquer disputa judicial sobre o resultado do pleito, uma vez que Trump ainda não reconheceu a derrota e alega ter sido alvo de uma fraude eleitoral.

Auxiliares do presidente destacam que ele não deve endossar as alegações de Trump de que houve irregularidades nas eleições americanas —o que seria tomado como uma ofensa pelo Partido Democrata— e que enviará uma mensagem parabenizando a eleição de Biden.

O problema é que a conclusão de qualquer disputa judicial ou o reconhecimento da derrota de Trump é algo que pode se arrastar por semanas, e assessores palacianos esperam que o presidente envie algum tipo de mensagem ainda neste sábado.

O fato de outros líderes mundiais já terem se manifestado, entre os quais o premiê do Reino Unido, tem sido usado para argumentar junto a Bolsonaro que a derrota de Trump já é um fato consumado.

Ao contrário do presidente brasileiro, outras lideranças políticas no país se adiantaram e parabenizaram Biden tão logo as emissoras americanas o declararam presidente eleito.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso também se manifestaram.

Bolsonaro passa o fim de semana em Brasília e deixou o Palácio da Alvorada neste sábado para participar do batizado de sua filha. Na sexta (6), ele fez um pronunciamento que foi interpretado como o reconhecimento de que estava prestes a ver seu principal aliado na arena internacional perder a reeleição.

Eu não sou a pessoa mais importante do Brasil, assim como Trump não é a pessoa mais importante do mundo, como ele mesmo bem disse. A pessoa mais importante é Deus”, disse Bolsonaro.

Fonte: Folha de São Paulo

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