Biden propõe gastar US$ 2 trilhões em energia limpa para enfrentar crise

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, apresentou nesta terça (14) um plano ambicioso de combate às mudanças climáticas que prevê o investimento de US$ 2 trilhões (R$ 10,8 trilhões) em infraestrutura de energia limpa nos setores de transporte, energia e construção civil ao longo de quatro anos.

O objetivo é zerar em 15 anos as emissões de carbono provenientes do setor elétrico no país e gerar empregos na área de energia limpa numa aposta para superar os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus.

O plano representa uma abordagem mais agressiva em relação às propostas de política climática apresentadas durante as primárias democratas —um aceno aos progressistas do partido que pedem uma ação mais audaciosa do candidato.

Na quinta-feira (9), Biden já havia proposto um pacote econômico de US$ 700 bilhões (R$ 3,8 trilhões) focado em estímulos para a indústria americana, geração de empregos e investimentos em pesquisa e inovação.

“Não percamos mais tempo”, disse Biden em um evento de campanha sem público em Wilmington, no estado de Delaware.

O democrata prevê que o pacote dará um empurrão na economia americana ao promover milhões de novos empregos.

“Quando Donald Trump pensa sobre mudanças climáticas, a única palavra que ele consegue dizer é ‘farsa’. Quando eu penso sobre mudanças climáticas, a palavra que me vem à mente é ‘empregos’. Empregos com bons salários para trabalhadores sindicalizados”, disse o candidato que enfrentará o atual presidente nas eleições de novembro.

O plano climático de Biden prevê que o país esteja produzindo energia elétrica 100% limpa até 2035.

A proposta procura impulsionar a indústria automobilística americana através de incentivos para produção de veículos elétricos e propõe a construção de 1,5 milhão de casas e unidades habitacionais públicas com projetos de eficiência energética.

O projeto também busca promover justiça social, direcionando 40% dos gastos em energia limpa para comunidades prejudicadas por refinarias e usinas nucleares.

A iniciativa do democrata foi bem recebida por ativistas ambientais que criticavam a falta de senso de urgência do candidato sobre a questão.

Congressistas republicanos de estados produtores de energia, no entanto, aproveitaram para atacar Biden em uma entrevista coletiva promovida pela campanha de Trump.

Steve Scalise, da Louisiana, e Mike Kelly, da Pensilvânia, alertaram que, em vez de impulsionar a economia, o plano acabaria com milhares de empregos bem remunerados e aumentaria os custos de energia, penalizando as famílias de classe média e baixa.

O presidente do Instituto Americano do Petróleo, um grupo de investidores em Washington, sugeriu que o plano de Biden poderá causar danos ao setor de óleo e gás americano, forçando o país a buscar fontes de energia no exterior, com padrões ambientais menos exigentes.

“Não é possível tratar dos riscos das mudanças climáticas sem a indústria americana de óleo e gás”, afirmou Mike Sommers, presidente do instituto.

As mudanças climáticas tornaram-se uma problema menor na percepção dos americanos durante a pandemia —e a recessão decorrente dela— no país mais atingido pelo novo coronavírus no mundo. De acordo com pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos em 6 e 7 de julho, menos de 5% dos americanos consideraram o ambiente como uma prioridade nacional.

A economia e o desemprego, por sua vez, foram mencionadas como a prioridade máxima por 28% dos entrevistados. Para 16%, o foco deve ser a saúde.

Segundo assessores da campanha de Biden, o plano é um dos pontos do pacote de recuperação econômica, descrito como a maior mobilização de investimento público desde a Segunda Guerra Mundial.

A equipe do democrata afirmou que os detalhes sobre como os custos da proposta serão cobertos devem ser divulgados nas próximas semanas, mas reforçou a promessa de aumentar a taxação de grandes empresas e dos americanos mais ricos, revertendo cortes de impostos sobre grandes fortunas promovidos por Trump.

Ainda de acordo com os assessores, algumas medidas podem ser realizadas através de decretos, mas a maior parte dos gastos demandará aprovação do Congresso.

Fonte: Folha de São Paulo

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