Atentado terrorista mata ao menos 4 em Viena; 7 feridos correm risco de morrer

Um atentado terrorista no centro de Viena na noite desta segunda (2) matou dois homens e duas mulheres e deixou ao menos 15 pessoas feridas. Sete delas ainda correm risco de morrer, afirmou a polícia na manhã desta terça (3).

Os tiroteios, classificados como “hediondo ataque terrorista” pelo premiê austríaco, Sebastian Kurz, começaram por volta das 20h (horário local, 16h no Brasil), na região da Seitenstettengasse, onde fica a principal sinagoga da cidade.

Um agressor, que usava um fuzil de assalto automático, foi morto cerca de dez minutos depois. Segundo o ministro do Interior austríaco, Karl Nehammer, ele tinha tinha 20 anos, era cidadão da Macedônia e da Áustria, onde cresceu.

Identificado como Kujtim T., ele ficou preso por 22 meses por tentar viajar à Síria para se juntar ao Estado Islâmico; saiu da prisão em dezembro de 2019, em liberdade condicional. O terrorista levava também uma pistola e um facão e usava um cinto de explosivos falso, segundo a polícia.

​​O governo afirmou que fez revistas em 15 domicílios e várias pessoas foram detidas. A participação de outros atiradores ainda está sendo investigada, e o ministro pediu à população de Viena que evite sair às ruas nesta terça.

As vítimas mortas até agora no ataque eram um homem e uma mulher idosos, uma garçonete e um jovem que passava pela rua, segundo o priemiê austríaco.

Um policial foi baleado, ficou gravemente ferido, foi operado na madrugada e está em condição crítica, mas estável, de acordo com o chefe de polícia da cidade, Gerhard Pürstl.

Tanto a sinagoga da Seitenstettengasse quanto o prédio de escritórios do mesmo endereço já estavam fechados quando os ataques começaram, mas a Assciação Israelita orientou os fiéis a não saírem de casa, até recomendação em contrário da polícia. O governo austríaco liberou a presença nas escolas em Viena nesta terça.

“Estamos passando por momentos difíceis em nossa República”, escreveu Kurz em uma rede social. “Fico feliz que nossos policiais já tenham conseguido eliminar um perpetrador. Jamais nos permitiremos ser intimidados pelo terrorismo e lutaremos contra esses ataques com firmeza por todos os meios.”

Segundo o premiê, “para que a polícia possa concentrar-se totalmente na luta contra o terrorismo”, as Forças Armadas vão assumir o policiamento da capital austríaca.

A área central onde ocorreu o incidente tem vários bares e restaurantes e estava movimentada, porque um novo bloqueio contra o coronavírus começaria à meia-noite. O tiroteio provocou pânico e correria pelas ruas.

A sinagoga de Seitenstettengasse foi palco de um ataque em 1981, no qual dois palestinos deixaram 2 mortos e 18 feridos. Em 1985, um grupo terrorista palestino atacou o Aeroporto Internacional de Viena com tiros e granadas, deixando 3 mortos.

Em agosto, um refugiado sírio de 31 anos foi detido sob suspeita de tentar atacar o líder de uma comunidade judaica em Graz, segunda maior cidade austríaca. Não houve feridos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, publicou uma mensagem em alemão na qual diz que a França “compartilha o choque e a dor do povo austríaco, atingido esta noite por um ataque no coração de sua capital”.

“Esta é a nossa Europa. Nossos inimigos devem saber com quem estão lidando. Não vamos ceder nada a eles”, escreveu Macron. Desde setembro, três atentados deixaram quatro mortos na França.

No final da noite, o governo tcheco anunciou blitzen na fronteira com a Áustria e reforço na segurança de instituições judaicas da República Tcheca, como medida preventiva.

​TERRORISMO NA FRANÇA

Desde a semana passada, a França elevou seu alerta para terrorismo —na quinta, um ataque a faca deixou três mortos em uma igreja católica de Nice, entre eles uma brasileira de 44 anos, mãe de três filhos.

O agressor, um tunisiano de 21 anos recém-chegado ao país, foi baleado e está no hospital, mas, segundo a polícia de Nice, não corre risco de morrer. Ainda não há informações sobre o motivo do crime nem como ele foi organizado.

No final de setembro, dois jornalistas foram atacados perto da sete do jornal satírico Charlie Hebdo, que em 2015 foi alvo de atentado terrorista por publicar charges de Maomé, deixando 12 mortos. O julgamento desse caso havia começado semanas antes e foi suspenso neste final de semana porque um dos réus contraiu Covid-19.

No começo de outubro, o professor Samuel Paty foi decapitado por ter mostrado as mesmas caricaturas, em uma aula sobre liberdade de expressão.

No sábado, um padre ortodoxo grego foi ferido a tiros em uma igreja em Lyon, mas, segundo a polícia local, a hipótese mais forte é que o ataque não tenha sido terrorista, mas movido por desavenças pessoais.

Fonte: Folha de São Paulo

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